
A Praça é da Matriz
A casa cultural Matriz comemora outro ano de atuação levando shows à praça Raul Soares
foto: Ricardo Aluotto
Histórico do evento
Quando celebrou os três anos de atividade da Casa Cultural Matriz, a administração optou pela realização de um evento aberto ao público. A praça Raul Soares foi o palco
de uma apresentação que reuniu um grupo de 120 percussionistas coordenados pelo experiente Maurício Tizumba, em uma celebração da cultura negra e dos ritmos e instrumentos oriundos da África. O evento “A Praça é da Matriz” reuniu um público estimado em 1500 pessoas e seu sucesso motivou a realização de uma segunda edição
no ano seguinte.
Percussionistas na praça Raul Soares – foto: Ivan Chagas
Maurício Tizumba coordena percussionistas na praça Raul Soares durante o evento de 3 anos da Matriz – foto: Ivan Chagas
Para a edição de 2004, a Matriz levou à praça os músicos Dimas Soares e Fernando Muzzi e os atores Fernando Fabrini e Ana Gusmão, os quais deram ao público uma performance teatral.
O ponto alto foi a apresentação dos cem violeiros que partiram em cortejo do Mercado Novo seguindo pela avenida Olegário Maciel juntamente com um grupo de Folia de Reis e com o público que seguiu a manifestação. Os músicos tocaram clássicos do repertório sertanejo e foram sucedidos pela Orquestra Minas & Viola. Como no ano anterior, não houve registros de ocorrências policiais ou de depredação da praça.
O grupo de Folia de Reis acompanhou o cortejo dos violeiros – foto: Ricardo Aluotto
Violeiros, Folia de Reis e o público formaram cortejo até a praça Raul Soares – foto: Ricardo Aluotto
A realização da segunda edição do evento “A Praça é da Matriz” exigiu meses de articulação da administração junto à comunidade de violeiros do Mercado Novo, considerado um centro nacional de referência para os praticantes e admiradores da viola. O mercado, localizado na av. Olegário Maciel 742, reúne escolas e oficinas de reparo e fabricação do instrumento e foi o berço de grupos como a Orquestra Mineira de Violas e a Orquestra Minas e Viola.
Violeiros ensaiam no Mercado Novo - foto: Ricardo Aluotto
A Praça é da Matriz 2006
Neste ano, o projeto A Praça é da Matriz conta com recursos aprovados pela Comissão Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e levará à praça Raul Soares o consagrado sambista carioca Nelson Sargento, Bira Favela, Acyr Antão, os grupo de samba e choro Sarau Brasileiro e Copo Lagoinha, o experimentalismo da banda Pexbaa, a poesia do grupo Los Borrachos e clássicos do samba com o DJ Rafael. Leia abaixo sobre estas atrações.
Acir Antão e o grupo Sarau Brasileiro homenagearão Ataulfo Alves. O Sarau Brasileiro se une também a Bira favela no tributo ao mestre Cartola.
O evento acontece das 10:00h às 22:00h, no domingo, 12 de fevereiro.
Nelson Sargento
Segundo Zilmar Basílio, jornalista e pesquisadora da MPB, Nélson Mattos, chamado Nelson "Sargento" em razão da patente alcançada em serviço no exército, integrou o conjunto A Voz do Morro, ao lado de Paulinho da Viola, Zé Kéti, Elton Medeiros Jair do Cavaquinho, José da Cruz e Anescarzinho. Entre os seus parceiros de composição musical estão Cartola, Carlos Cachaça, Darcy da Mangueira, João de Aquino, Pedro Amorim, e Daniel Gonzaga.
Escreveu os livros "Prisioneiro do Mundo" e "Um Certo Geraldo Pereira". O próximo tem como titulo provisório "O Samba eu" e narra de maneira romanceada, mas com detalhes que vêm à tona graças à sua memória privilegiada, passagens da sua vida. Atuou nos filmes "O Primeiro Dia", de Walter Salles e Daniela Thomas, "Orfeu do Carnaval" de Cacá Diegues, e "Nélson Sargento da Mangueira" de Estêvão Pantoja, que lhe valeu a premiação do Kikito, no Festival de Gramado, pela melhor trilha sonora entre os filmes de curta metragem. O seu CD "Flores em Vida" foi indicado para concorrer ao Prêmio Grammy Latino, na categoria de melhor álbum de samba.
Trata-se de um artista multimídia: é compositor, cantor, pesquisador da música popular brasileira, artista plástico, ator e escritor. Despontou para a música na adolescência, quando Alfredo Português, seu pai de criação e importante compositor do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, descobriu o grande talento que surgia.
"Muito velho, pobre velho
Vem subindo a ladeira com uma bengala na mão
É o Estácio, velho Estácio
Vem visitar Mangueira e trazer recordação
Professor, chegaste a tempo
Pra dizer neste momento como podemos vencer
Me sinto mais animado
As Mangueira aos seus cuidados vai à cidade descer
O Estácio, pioneiro do samba
Reduto de bamba, teu nome é tradicional
Enriqueceu nossa cultura"Velho Estácio
(Cartola e Nelson Sargento)
Copo Lagoinha
O Copo Lagoinha é um grupo de samba e choro que desenvolve uma pesquisa histórico-fonográfica em torno desses gêneros musicais. A partir dos resultados, o grupo faz releituras de grandes compositores da música brasileira. Estão presentes no repertório diversas variações do samba: o samba-maxixe de Sinhô, o samba-exaltação de Ary Barroso, o sincopado de Geraldo Pereira, o samba-canção de Cartola, o samba de partido alto de Candeia, além de composições inéditas.
![]()
O Grupo em uma de suas primeiras formações
O grupo já se apresentou ao lado de grandes artistas, compositores que ajudaram a delinear a história da música brasileira. Nelson Sargento, João Nogueira, Nei Lopes e Velha Guarda da Mangueira são alguns deles.
O Copo Lagoinha é formado por Cris Vianna (violão, voz, pesquisa e arranjos), Agostinho Paolucci (violão de 7 cordas), Dudu Braga (cavaquinho), Rogério Sam (percussão), Zeuler Miquelina (percussão) e Anderson Aleixo (surdo).
Sarau BrasileiroO grupo surgiu no final da década de 80 e foi conferido ao Conjunto Sarau Brasileiro o Troféu Pró-Música “Os melhores da música de Minas Gerais” – ano IV – 1998, como melhor Conjunto Musical MPB. O conjunto Sarau Brasileiro lançou seu primeiro CD “Sarau Brasileiro Interpreta Geraldinho Alvarenga”, realizado com os benefícios da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, em dezembro de 2001.
Já participou das gravações dos CD's “As Estações do Homem” (1997) e “Samba Canção” (1999) do cantor e compositor Paulinho Pedra Azul. Também participou do CD “Isto é Seresta” (1995) do músico Waldir Silva, o qual foi indicado para o Prêmio Sharp, gravando em todas as faixas sob a direção de Geraldo Alvarenga.
O grupo vem se apresentando em projetos musicais importantes como “Minas ao Luar”, “Liberdade Instrumental Itaú”, “Música de Domingo”, no 7 o , 8 o e 10 o Show Alterosa de Fogos. Ainda em sua trajetória, o grupo acompanhou a cantora Emilinha Borba (“Aqui Ó”), o coral Voz e Cia. (Teatro Alterosa). Participou do espetáculo “Na Onda do Rádio” realizado no teatro Francisco Nunes e no grande teatro do Palácio das Artes. Também tem participado de projetos como Projeto Seresta no Central Shopping e Ponteio Lar Shopping, PIC Cultural, projetos realizados pela Belotur como “Sopro da Lagoinha”, tocou também no Fórum das Américas. Apresenta-se regularmente em eventos nas universidades, colégios, clubes, bailes para a terceira idade e para o público em geral.
Em seu repertório tocam-se basicamente ritmos brasileiros resgatados do início do século até os dias atuais (valsinhas, choros, boleros, sambas, forrós, bossa nova, etc.). Dentre alguns dos compositores executados pelo Sarau Brasileiro, podemos citar Ernesto Nazareth (Odeon, Brejeiro), Chiquinha Gonzaga (Atraente, Gaúcho), Pixinguinha (Carinhoso, Lamento), Jacob do Bandolim (Noites Cariocas, Doce de Coco), Waldir Azevedo (Brasileirinho, Pedacinho do Céu), Garoto (Gente Humilde, Jorge do Fusa), Tom Jobim (Wave, Chega de Saudade), Paulinho da Viola (Choro Negro, e vários sambas), Ari Barroso (Na Baixa do Sapateiro, Morena Boca de Ouro), Godofredo Guedes (Cantar, Belo Horizonte), Cartola (As Rosas não falam), Chico Buarque (Carolina, Roda Viva, Anos Dourados), Vinícius de Moraes (E por falar em saudade, Regra três), João Bosco (Kid Cavaquinho), além de composições próprias e clássicos da MPB.
Hélio Pereira – Bandolim e trombone
Geraldinho Alvarenga – Violão e cavaquinho
Magela – Violão 7 cordas
Isaías – Pandeiro
Dudu Braga – Cavaquinho (participação especial)
Bira FavelaUbirajara dos Santos Custódio nasceu no Morro do Papagaio, bairro São Pedro. Figura antiga do samba mineiro, acabou sendo batizado como Bira Favela. Vindo de uma família ligada ao samba, Bira começou a trabalhar aos 9 anos na rádio inconfidência no programa Gurilândia, de Aldair Pinto.
Bira Favela e Dona Zica da Mangueira no show Tributo a Cartola, na Matriz – foto: produçãoO sambista, acompanhado pelo belo instrumental do grupo de chorinho Sarau Brasileiro, fez parte do Tributo à Cartola, e apresentou no palco da casa cultural Matriz 20 canções de Cartola e seus parceiros, em uma homenagem ao fundador da Estação Primeira de Mangueira. Entre uma canção e outra, Bira relata casos sobre as canções do compositor..
Los Borrachos
O objetivo do grupo Los Borrachos é fazer uma leitura contemporânea da tradição poética mundial e, sobretudo, tentar fazer com que essa leitura seja prazerosa. A partir de uma técnica de bricolagem, são amalgamados "fragmentos" de poesias e de músicas. Los Borrachos vêm se apresentando na cidade desde 2000 e traz agora algumas novidades em seu repertório. Desta vez, o grupo faz incursões tanto pela poesia de belorizontinos como Gato Jair, Marcelo Dolabela, Carlos Augusto Novaes, quanto pela poesia de escritores de outros países como Ginsberg, Fernando Pessoa, Baudelaire, entre outros. A escolha do repertório sempre abrange vários estilos, o que vale para a música e para a poesia, mas sem nunca perder o bom hábito da bricolagem....
INTEGRANTES:
- Ronnie, Emília e Fernanda: voz e pesquisa de texto:
- Clôde: pesquisa musical e copy past :
Pexbaa
Interessado em improvisação, experimentalismo, combinação aleatória de sentidos e em expansão de possibilidades de criação musical através da utilização de novas tecnologias, suportes e linguagens, o pexbaA, criado em 1998, é fruto de projetos anteriores que fizeram parte do conturbado cenário musical de Belo Horizonte nos anos 80.
Recentemente a banda vem tendo seu trabalho reconhecido em âmbito nacional e internacional, sendo selecionada para participar de projetos que pretendem mapear e premiar a música contemporânea de qualidade produzida no Brasil (Projeto "Rock Contemporâneo", SESC Ipiranga, São Paulo, 2001; "Rumos Itaú Cultural Música", Instituto Itaú Cultural, 2001 e 2004; "Prêmio Cultural Sérgio Motta Arte e Tecnologia" - Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, 2001 e 2002) e para apresentações internacionais (Festival SXSW South by Southwest 2002 - Austin, Texas, EUA, 2002).
Sobre o processo de composição da banda, partimos da premissa de que qualquer som é fonte para música. Assim, nossas músicas não podem ser caracterizadas como de um determinado país, região, cultura ou movimento artístico específico. A temática é livre, uma vez que as palavras não possuem significado algum. Logo, além da interpretação pessoal de cada ouvinte, nestas "letras" não ocorrem vícios de expressões e clichês literários, encontrados em qualquer idioma.
Quanto às famosas "influências", todos os tipos de sonoridades utilizadas ou inventadas pelo homem, ao redor do mundo e no decorrer do tempo, ou os sons nos quais simplesmente estamos submergidos, traçam o mapa de interesse buscado pelo grupo. Ou seja, podemos nos dizer influenciados por tudo o que temos conseguido captar no intervalo entre 20 hertz e 20 kilohertz. Dessa experiência entre ouvir e compor, o resultado é... música. Quase sempre, se desprovida de adjetivos, ela soaria melhor. Pode-se pensar em uma (des)combinação atonal de ex-significados, na estruturação dos improvisos, um "experimento jazz-dada-onívoro", como definiu alguém.
Praça Raul SoaresA ocupação da praça Raul Soares pela Matriz é em si mesma uma realização de natureza cultural, pois resgata o papel social da praça enquanto centro de convivência e socialização, função desempenhada antes que as transformações sofridas pela cidade descaracterizassem o que já foi o próprio centro da cidade.
Praça Raul Soares em 1957, época da construção do Conjunto JK
Foto: Câncio de Oliveira (Museu Histórico Abílio Barreto)Segundo pesquisa de Wanderson Albuquerque, a praça constava nos planos da Comissão Construtora de Belo Horizonte como marco zero da cidade, o que pode ser observado pelo marco geográfico instalado em um bloco retangular de concreto escondido em um dos cantos do seu jardim. A praça cujo nome hoje homenageia o advogado e jurista mineiro Raul Soares de Moura foi inaugurada 39 anos depois da capital mineira com o nome de 12 de Setembro e exerceu durante décadas o papel de centro de convivência e socialização, tão importantes para a cidadania, sendo alvo de intervenções paisagísticas concebidas em sintonia com o modelo europeu, muito em voga na época. Era uma praça sem árvores, com arbustos podados rente ao chão, jardins geométricos e traçado simétrico saindo para as bordas em direção às quatro avenidas, evidenciando o sentido de passagem. Exibia uma fonte luminosa que encantava os visitantes com seus diversos jatos d'água iluminados em cores diversas. Recebia moradores do entorno, que se encontravam para conversar, passear, brincar com os filhos, descansar e namorar. A verticalização da cidade e o processo de recuo do espaço público diante de um modo de vida cada vez mais privado, assim como o aumento do fluxo de veículos, contribuíram para a descaracterização da Raul Soares.