Ataide Soares – O Manda Brasa

Ataíde Soares, mais conhecido como o violeiro “Manda Brasa”, não era ainda adulto quando deixou sua cidade natal, Raul Soares, para tentar exercer em Belo Horizonte o que ele, autodidata no estudo da viola, atribui a um dom de Deus.

No começo da década de 1960, viu-se batendo nas portas das rádios da capital mineira na tentativa de divulgar seu trabalho nos programas que então veiculavam ao vivo o som das duplas caipiras. Ataíde se refere a este como um período muito difícil de sua vida. Insistente, viu-se ludibriado por certo radialista que, na tentativa de livrar-se do menino, lhe ofereceu o microfone depois da apresentação dos outros violeiros. Terminando de tocar, Ataíde foi avisado que não estava no ar pelo operador “Pancho Villa”, que, solidarizando-se, indicou ao rapaz o programa “Ventinho do Sertão”. Como as apresentações eram feitas em pares, constituiu sua primeira dupla com Geraldo Tavares, o Pinga-Fogo. A dupla Pinga Fogo & Manda Brasa tocou por 17 anos, gravando dois discos sob o selo da gravadora Madrigal.

Manda Brasa conta que seu sustento provinha majoritariamente das apresentações que faziam durante os espetáculos de grupos circenses como o “Circo da Paloma” e o “Circo da capixaba”, com os quais entravam em contato no “Bar dos Artistas”. Com o circo, viajaram por grande parte de Minas Gerais, conhecendo também o interior de outros Estados.

Com a violeira Matilde, gravou dois LPs e com Jacklane exerceu uma verve mais humorista gravando 3 discos nos quais se encontram canções como “Buchechando o dente” e “Pinga Mela”. Com o nome de Ataíde Soares gravou um disco solo que contava com participação do acordionista Mario Zan. Foi também produtor e participou de discos da dupla Paulo Line e Patriota.

resenha: Rogério Marcus

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