
José Luiz Lourenço – Mestre Conga
Contando 78 anos, 20 dos quais como presidente da AMESBECC – Associação Mineira de Escolas de Samba e Blocos Caricatos e Carnavalescos – José Luiz Lourenço, o Mestre Conga, viu um tempo em que desfiles e manifestações de rua estavam proibidas em razão da Segunda Guerra Mundial e testemunhou boa parte da história do carnaval de Belo Horizonte, capital cantada por ele em um samba enredo nostálgico que conta os progressos da cidade em seus anos dourados, exaltando seus cartões postais e filhos ilustres. Esta canção e outras obras do autor, como A Saga dos Índios na Terra das Gerais, que fala das tribos indígenas de Minas, e os sambas Lágrimas Sentidas e Meu Tamborim, estariam bem colocadas em algum registro fonográfico, como querem a AMESBECC e os veteranos reunidos na Velha Guarda do Samba, como Jadir Ambrósio, Kalu, os irmãos Saraiva, entre outros, além de Lurdes Souza, cuja importância na cena sambista local o Mestre Conga compara à que Tia Ceata teve para o Rio de Janeiro.
Conga define como um bom período para o samba em Belo Horizonte aquele anterior à 2ª Grande Guerra, lembrando que a proibição dos desfiles de rua e demais manifestações, vigente durante o conflito, fomentou a atividade dos clubes. O atual MAP – Museu de Arte da Pampulha – também sediou apresentações de blocos de samba, em seus tempos de cassino, relembra o Mestre.
Sua trilha no samba começou em 1946, quando tocava tamborim na Escola de Samba Surpresa e foi Cidadão Samba em 1948, eleito em concurso promovido pelos Diários Associados. Dirigiu a Remodelação da Floresta, uma dissidência da então escola de samba da Floresta, por dois carnavais. Foi fundador da Escola de Samba Inconfidência Mineira em 1950, juntamente com Alirio de Paula, Oscar Balduíno (Kalu) e Eunice Felipe, entre outros.
A dependência do apoio financeiro do poder público é uma das fraquezas do carnaval local, segundo Conga, que aponta ainda a falta de estrutura das escolas de samba, desprovidas em sua maioria de locais de ensaio e alojamento de material, o que dificulta a realização de um carnaval profissionalizado.
Apesar das dificuldades e dos períodos de baixa do carnaval de Belo Horizonte, Conga afirma que a cidade tem a sua tradição carnavalesca e é esta tradição que o projeto Faculdade do Samba, da AMESBECC, quer preservar através da manutenção de um acervo de filmes, discos e fotos que guardem a história do samba e dos autores locais. O Mestre é integrante da Velha Guarda do Samba, um grupo que reúne sambistas veteranos na cena de BH. A Velha Guarda planeja gravar um CD com a obra destes nomes.
Sobre seus planos para o futuro, Mestre Conga responde que quer ver sua Escola, a Inconfidência Mineira, vencedora mais uma vez, e que se prepara para o carnaval de 2006.
Entrevista e resenha: Rogério Marcus