
Tempos de Guerra, a noite eterna, as tribos e o caos
Tempos de Guerra, HQ com roteiro e desenhos de José Duval e enredo de Luís de Abreu, gira em torno de uma sociedade perversa onde uma minoria economicamente favorecida vive isolada em gigantescas edificações chamadas "Ilhas", em cujos andares superiores os poderosos dividem o domínio de regiões exploradas e se entredevoram em intrigas políticas enquanto lá embaixo, nas ruas, gangues e tribos de diversas correntes e ideologias se dividem em conflitos.
A estagnação é quebrada com a chegada de Iágar, um jovem que consegue articular a união de vários grupos criando uma gangue independente, sem o financiamento das Ilhas.
De forte conteúdo crítico, a história traz interessantes paralelos com o Inferno da Divina Comédia do poeta Dante Alighieri, além de citar pinturas consagradas através do personagem Muls, um artista solitário que recebe advertências proféticas em sonhos e passa seus dias a reproduzir grandes telas como "O Grito", de Munch, nos muros abandonados da velha cidade. A visão do Museu de Arte de São Paulo tombado de seus alicerces, bem como das avenidas paulistas submersas, constrói o cenário dessa história de um Brasil de daqui a não muito tempo.
Publicada pela editora Book, a HQ Tempos de guerra realmente não merece ser ignorada pelo público.
resenha: Rogério Marcus