Mordeorabo

A estrutura circular do benzeno – famoso anel aromático da Química Orgânica – foi descoberta por Friedrich Kekulé em 1865, depois de sonhar com uma cobra mordendo seu próprio rabo. Do diário deste gênio alemão da Química: "aprendamos a sonhar, cavalheiros".

Quando estavam no colégio, três amigos de Belo Horizonte resolveram começar a tocar, sem muito compromisso. Graças aos freqüentes encontros no Estúdio Murillo Corrêa – do proprietário homônimo, pai de um dos integrantes – percebeu-se, por meio de muita experimentação, que o projeto tinha futuro. Começaram a gravar vinhetas, músicas curtas, de um minuto e meio, mostradas para amigos na internet e emprestadas como "coletâneas" em CDs – alguns gostavam, outros não e quem gostava os impulsionava e a vontade de desenvolver o trabalho foi aumentando.

Espécie de projeto coletivo informal, chamavam amigos para aparecer no estúdio, compunham, gravavam e mixavam uma música inteira no mesmo dia. A formação foi se solidificando e ficaram, já faz um tempo, os três: Bruno Corrêa na guitarra, Max Duarte no contrabaixo e Pedro Hamdan na bateria. Os primeiros registros são de 2001, mas é nebulosa a data em que virou o que é, tendo passado por esse processo, ainda, Vitor Garcia dos projetos FAQ (recém viajado para França e Holanda) e Casa Volante. O primeiro show aconteceu em 17 de dezembro de 2003 e é boa a referência, que é ao vivo que se percebeu o apelo do trabalho - é pelas apresentações que o trio tem construído sua história junto ao público.

Apesar do engraçado e curioso nome escolhido para a banda, o Mordeorabo leva a sério o que faz. Com melodias trabalhadas e sem nenhum vocal, os mineiros ainda não lançaram um disco para divulgar seu trabalho, apesar de vir conquistando um público cada vez maior: foram 14 shows ao todo em 2004, tendo sido realizados outros 14 apenas nos primeiros seis meses de 2005. Esse crescimento se deve principalmente às divulgações boca-a-boca e virtual, tendo como tom maior dos elogios a qualidade dos músicos e o vigor, a inventividade e a ludicidade possibilitados pela – ponto crucial – amizade evidente entre os três. Em entrevista, Max Duarte brincou: “a inspiração vem das pizzas sem tomates e das madrugadas no estúdio; musicalmente, acreditamos que quase tudo influencia a banda”.

Por terem um estúdio à disposição, nunca se concentraram o suficiente para gravar um disco em um número certo de horas, que custariam tantos reais – não têm, em suma, um registro fechado. Contudo, já gravaram a trilha de abertura do programa Olhar Ambiental, da Rede Minas, e a trilha original do espetáculo Homens, da Cia. de Dança Será Quê?, dirigida pelo Rui Moreira, coreógrafo e dançarino de prestígio internacional, que busca sempre trabalhar com novas faces, desvelando talentos. Histórias de sucesso, mas que não contemplam lançamento previsto por motivos óbvios.

- Trilha do programa “Olhar Ambiental” da Rede Minas de Televisão

- Trilha original da peça “Homens” da Cia. Será Quê? de Dança

- Shows em casas alternativas expressivas no cenário musical de Belo Horizonte (Matriz e A Obra), Campinas (Bar do Zé) e São Paulo (Milo Garage e Espaço Impróprio).

- Citação em matéria publicada na coluna [esquemaNovo] sobre música pop, produzida por Thiago Pereira e Terence Machado e publicada, todas às quintas no jornal Hoje em Dia, como uma das “apostas” para o ano de 2005 – apesar de ainda não ter registro em disco – ao lado de nomes consagrados como Lobão, Los Hermanos, Pato Fu, e novos conjuntos, como o Trinidad, também de Belo Horizonte.

- Matéria de capa no site da Tramavirtual, grande portal de divulgação da música alternativa nacional.

- Presença em eventos que agitam a cultura alternativa belo horizontina, como o Carnaval Revolução (em 2004), a Casa Ototoi e participação no projeto Ensaio Aberto na Praça JK.

Em trecho da entrevista para o site Tramavirtual [www.tramavirtual.com.br]:

Vocês acham que o rock instrumental tem vez no Brasil?

Pedro: Existem festivais e muitas casas que abrem espaço pra esse tipo de música, por essência já "alternativa". Tem bastante gente que gosta, vai a show, compra disco, se diverte. Todo um esquema miúdo e agradável. Nesse sentido, se bem feito e bem divulgado, o rock instrumental funciona que é uma beleza.

Mordeorabo é rock instrumental dançante.

 

 

 

 

::: Resenha