
Imago Mortis – Belo Horizonte
Bandas: Palimpsesto, Broken Spell, Nordheim e Imago Mortis
Divulgando o aclamado CD Vida: The Play of Change, o Imago Mortis veio a Belo Horizonte para mais um show de sua “Tour of Change”. Outra banda do Rio de Janeiro, o Nordheim também veio à capital mineira pela primeira vez, para divulgar seus dois lançamentos, o CD “... And the Raw Metal Power” e o MCD “Total War”, ambos lançados pela Marquee Records. Na abertura, duas bandas belo-horizontinas: o Palimpsesto, que executa um rock alternativo, lembrando uma mistura de Cranberries com bandas mais pesadas (como o próprio Lacuna Coil, que ganhou um cover da banda nesse show) e o Broken Spell, que vem divulgando seu trabalho na cena mineira há alguns anos, e que seria outro representante do heavy metal no festival. O evento foi realizado na casa de shows Matriz, no dia 26 de junho de 2004, e contou, infelizmente, com cerca de apenas 100 espectadores.
Às 23:00h, o Palimpsesto iniciou a noite, com a difícil tarefa de tocar para um público mais heavy metal. Entretanto, conseguiu agradar parte do público que foi assistir sua apresentação. Lembrando bastante The Cranberries, principalmente pelos vocais, e com instrumental mais pesado, a banda executou sete músicas próprias e ainda um cover para “Falling Again”, do Lacuna Coil, que caiu muito bem no setlist.
Com destaques para “Gaya” e “Just a Normal Day”, além do cover, o Palimpsesto mostrou ser uma boa banda, com um futuro promissor pela frente. A vocalista Letícia, ex-Walpurgis Night, vem ajudando a banda quando preciso, substituindo a “titular” Natália em situações de emergência, e se destacou com um belo vocal. O baterista Raul Lanari mostrou muita pegada e muita técnica, destacando-se também. Apesar de estar tocando em um evento voltado ao heavy metal, a banda conseguiu uma boa repercussão do público, em cerca de 30 minutos de show.Site: www.palimp.com
Setlist: “Safe at Last”, “Sabeca Dallas Top II”, “Millimetrics Adjustments”, “Darkside”, “Falling Again” (Lacuna Coil), “Gaya”, “Just a Normal Day”, “Half Life”.
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A segunda banda a tocar foi o Broken Spell. Executando um heavy metal bastante agressivo, a banda tocou três músicas de seu CD-Demo, dois covers e duas músicas ainda não gravadas. Abrindo o show com a boa “Don't Take me Down”, a banda já mostrava um bom potencial e um público fiel, que cantava suas músicas e agitava bastante. Os vocais, bem agressivos, se encaixam bem com o instrumental, que possui influências de thrash metal em algumas partes. Como destaques do setlist, a extrema “Inner Demon” e a antiga “Broken Spell”, que possui um ótimo refrão, mostraram algumas boas qualidades da banda. O cover para “Made in Hell”, do Halford, caiu muito bem na noite, e teve seu refrão cantado por muitos. A banda está bem mais agressiva do que no Promo CD Broken Spell, lançado no final de 2002, com formação diferente da atual.
O baixo de Silvia Lansky esteve bem presente durante a apresentação, que contou ainda com a participação do novo tecladista Marcelo Malagoli, que tocou guitarra nas duas últimas músicas. Além do guitarrista Thiago Martins, único membro remanescente da formação original, iniciada em 1998, o Broken Spell conta com Luiz Vitarelli (guitarra/vocais), Silvia Lansky (baixo/backing vocals), Alfredo Malagoli (bateria) e Marcelo Malagoli (teclados).
Site: www.brokenspell.net
Setlist: “Don't Take me Down”, “Inner Demon”, “Leave This World Behind” (Kreator), “Song of the Dying”, “Broken Spell”, “Made in Hell” (Halford), “Guide of Souls”.
Em seguida, os cariocas do Nordheim subiram ao palco em mais um show da Total Tour, iniciada em maio de 2004. Ao longo de sua apresentação, a banda foi mostrando uma boa presença de palco, e um power metal de qualidade. Foram tocadas 6 músicas de seu debutCD “... And the Raw Metal Power” e ainda uma do MCD “Total War”, lançado em 2003 pela Marquee Records. Apesar do público em quantidade quase irrisória, a banda mostrou muito profissionalismo, agradecendo às pessoas presentes e mandando boas composições próprias, e ainda dois covers muito bem executados, para “Tornado of Souls” (Megadeth) e “Jawbreaker” (Judas Priest). O guitarrista Eduardo Fernandez e o baixista Ivan Guilhon davam uma contribuição mais extrema ao som da banda, com backing vocals guturais, que se encaixam bem na proposta sonora do Nordheim. Toda a banda mostrou-se muito bem ensaiada, tocando com bastante precisão as músicas de seus dois trabalhos, e mostrando ser um bom expoente do metal brasileiro no estilo. Em seus 45 minutos de show, o Nordheim conseguiu uma ótima repercussão do público, que aplaudiu bastante a performance da banda.
Site: www.nordheim.com.br
Setlist: “Total War”, “Doomsday”, “Easy Rider”, “Out of Control”, “Jawbreaker” (Judas Priest), “River of Death”, “Raining Fire”, “Tornado of Souls” (Megadeth), “The Metal March”.
Enfim, chegou a vez do Imago Mortis tocar, fechando a noite. Não se importando com o pouco público, a banda mostrou-se bastante profissional e executou seu show como se estivesse tocando para centenas de pessoas. Cada música soava diferente da anterior, mostrando uma grande diversidade na banda. Apesar do som caminhar mais para um heavy/doom metal, com vocais ora parecidos com os de Messiah Marcolin (Candlemass), a banda mostrou influências de vários outros estilos de metal, com o próprio vocalista Alex Voorhees intercalando vários tipos de vocais. Com uma presença de palco muito boa, e destaques para o vocalista Alex e o guitarrista Rafael Bianzeno, que mostrou muita técnica e feeling, o Imago Mortis preparou seu setlist com ênfase no novo CD, Vida: The Play of Change, de onde vieram seis músicas executadas no show. Com destaque para a raivosa “Envy” e a bela e muitíssimo bem executada “Me And God”, que provou a todos as inúmeras qualidades da banda, era perceptível a satisfação do público ao ver a apresentação da banda.
Vale ressaltar a grande versatilidade do Imago Mortis, que possui músicas rápidas, lentas, extremas, melódicas, raivosas, melancólicas, enfim, não se prendendo a apenas uma linha de composição. Ao final do show, um cover que caiu muito bem em Belo Horizonte mostrou outra boa performance da banda. “Troops of Doom”, de quando o Sepultura ainda era uma grande banda, foi executada e fechou com chave de ouro a apresentação dos cariocas, muito aplaudida pelo público.
Site: www.imagomortis.com.br
Setlist: “Long River”, “The Silent King”, “Prayers in the Wind”, “Deus lhe Pague”, “Envy”, “Me and God”, “Bring out your Dead”, “Terminal Christ”, “Res Cogitans”, “Troops of Doom” (Sepultura).
Apesar do público em quantidade quase irrisória, cerca de 100 pessoas ao todo, todas as bandas mostraram-se profissionais e tocaram como se estivessem o fazendo para centenas de pessoas. Os poucos que estiveram presentes na casa de shows Matriz certamente saíram com ótimas impressões das quatro bandas que tocaram, e os cariocas do Nordheim e do Imago Mortis, pela primeira vez tocando na capital mineira,
certamente fizeram novos fãs por aqui. Quanto ao público, infelizmente, o grande número de shows internacionais pela cidade fez com que muitos não pudessem
comparecer.
É de conhecimento de todos que a situação financeira da maioria do povo brasileiro está cada dia mais difícil, mas é de conhecimento geral que muita gente prefere prestigiar bandas internacionais ou guardar a grana pro “goró”, e, se a mentalidade dessas pessoas fosse outra, os shows underground teriam maior prestígio e mostrariam que o Brasil não deve nada a ninguém, e que bandas de nosso solo estão cada vez melhores e mais profissionais. Esperamos que as quatro bandas em questão tenham oportunidades futuras de mostrarem seu trabalho para um público maior, e de conseguir um merecido reconhecimento.
resenha e fotos: Alexandre Bernardes de Oliveira